
Matilde não possui consciência, mas sua vida esta sendo vitimada pelo uso constante de álcool, maconha e crack.
Sentada em um sofá velho empoeirado, na casa humilde do bairro Floresta, lentamente Matilde de 26 anos traça seu fim.
Desde os 14 anos de idade faz uso de álcool, acabou envolvendo-se com alguns “amigos” e foi em uma dessas rodas, que experimentou por curiosidade a maconha, quando a droga não surtia mais o efeito esperado, Matilde descontente resolveu experimentar o crack, e foi ai que sua vida desandou de vez, abandonou o emprego, começou a ter conflitos familiares, ficar mais agressiva, trocava a noite pelo dia, voltava para casa suja, maltrapilha, mesmo recebendo os conselhos da família Matilde não mudava.
– “Já tentei parar, mas não consegui” – diz ela
A Briga com a filha
Em uma noite fria Matilde estava, no cubículo de sua casa, uma vontade inexplicável de se drogar toma conta de seu corpo, faz seu corpo tremer dos pés a cabeça, contrariada, sai para consumir a droga, sem pudores alguns na própria praça da cidade de Videira, na roda de usuários compra as pedras e faz uso das mesmas, fuma a noite toda em torno de 8 pedras, ela não se alimenta ha 2 dias, com seu organismo fraco, está à beira de ter uma overdose... Mesmo atrelada ao vício decide voltar para casa, apos despedir-se de seus “amigos” ela segue caminhado, “Chapada” e inconsciente, cambalhota e cai em um buraco enlameado, suas vestes brancas se tornam sujas, manchadas pelo vício, Matilde segue a passos lentos com destino á sua casa, ao chegar bate a porta enfurecida e inconsciente, discute com sua filha de apenas 7 anos, em uma ação frenética, agride a mesma que carregou nove meses em seu ventre, Bianca ,sua filha, assustada sem entender nada, na calada da noite foge de sua mãe, abrigando-se na casa de sua avó....
No dia seguinte após o efeito da droga passar, Matilde acorda com uma forte dor de cabeça, olha para si, sua roupa rasgada, suja e não consegue olhar-se no espelho, procura pelos dois cômodos da casa sua filha mas não a encontra.
Matilde perde o carinho da filha, e a confiança dos parentes, ela se vê no fundo do posso.
Ninguém foi tão longe que não possa voltar
Matilde reflete a dia todo, lembra-se das vezes que magoou as pessoas quê mais lhe amavam, desperdiçando a confiança que lhe fora entregada, coisas horríveis que fizera, o olhar indiferente que recebera, Matilde encontra-se em uma redoma de tristeza profunda e lágrimas vertem em seu rosto, num lampejo de lucidez, toma consciência que pode vencer o vício e um sorriso brota em seu rosto, quando jurou abandonar as drogas...
O próximo passo
Após ter tomado a decisão de vencer o vício, Matilde procura tratamento, e tem apoio de sua irmã que consegue, o internamento em uma clínica no interior de Ibiam que possui convênio a prefeitura. Matilde não tem dificuldades para adaptação, são três meses de desintoxicação, ela faz novos amigos, todos se entendem, pois afinal todos falam a mesma língua. Os dependentes praticam dinâmicas ao ar livre, apreciam a natureza, escutam palestras, cuidam de sua alimentação contando com a ajuda de diversos profissionais da áreas, psicólogos, terapêuticos, médicos... E assim Matilde trilha sua caminhada para uma vida melhor...
Opinião de especialistas
Especialistas afirmam, que o dependente não possui nenhum pudor de falar na frente dos filhos sobre o uso de drogas, salvo algumas raras exceções, podendo assim formar na criança um caráter agressivo e solitário, influenciando indiretamente e diretamente no seu rendimento escolar, a criança pode ter dificuldades de concentração, levando ao difícil aprendizado, ou ainda a uma depressão profunda, e baixa auto-estima. Expor a criança ao convívio com a droga pode posteriormente formar um usuário, seguindo assim o exemplo do familiar...
Obs. Baseado em história real, porém o nome do personagem é fictício.
"Almir, o contador de histórias reais"