NA COMPANHIA DAS LETRAS.
Frederico do Santos, 15 anos, sente-se em uma redoma de tristeza sem fim. Desde pequeno sofre retalhamentos de seus colegas devido a sua deficiência visual.
Em uma manhã gelada do dia 25/04/1994, um choro desafinado quebra o ar do Hospital Divino Salvador, eis que Frederico ecoa seus primeiros sons. Aparentemente um garoto sadio, porém após o parto, os médicos logo percebem que o pequenino ser possui algo de errado com seus olhos...
Feito alguns exames logo detectam cegueira total de ambos os olhos, devido ao uso constante de crack durante a gestação. A mãe de Fredi se lamenta pelo feito, mas não poderá mudar o destino de seu filho....
Discriminação
O menino de cabelo escuros, olhos castanhos, “nascido do crack” já não é mas um menino. Com seus 15 anos,
locomove-se pelos corredores estreitos de uma pacata escola nos arredores de Videira, com ajuda de uma bengala que serve como extensão do seu braço...
Fredi não foi aceito no convívio social pelos colegas devido a sua diferença. E a prática do bule é manifestada através de ridicularizações e humilhações praticadas pelos seus colegas e até mesmo por quem deveria dar o exemplo “Professores” e “ Educadores”, esses fenômenos vão desencadeando em uma mente confusa diversos problemas, tais como, agressividade, timidez, solidão....
- Os alunos vivem me dizendo que eu sou feio e deficiente- diz ele.
A descoberta
O garoto tímido e arredio, atrelado a tecnologia existente, possui um relacionamento a longo prazo com Luiza, e ambos sentem que devem investir neste relacionamento e marcam um encontro.
Fredi vê seu sub-consciente tomado por pensamentos negativos, encontra-se em uma redoma de lembranças do passado que lhe trazem sofrimento e dor, decepções amorosas, causadas pela deficiência. Pergunta-se qual será a reação de Luiza, busca resposta no seu íntimo, mas não a encontra. Ao adentrar em uma lanchonete, vê seu coração acelerar, suas mãos ficarem geladas...
Com auxílio de sua bengala Fredi aproxima-se da mesa e percebe que Luiza, uma jovem comunicativa, já está a sua espera, Fredi senta-se ao lado de Luiza, durante alguns minutos, ambos mentem uma conversa cordial. A moça de pele clara possui uma conversa polida não deixando transparecer a aceitação ou ainda a rejeição, devido à cegueira de Fredi.
Fredi, cada vez sente-se mais angustiado, com incertezas, com seu psíquico abalado. Será que acontecerá como dos outras vezes? Serei rejeitado? Como resposta a sua angústia, Luiza “toma” a iniciativa, Fred não resiste....
Como em uma cena de cinema, debruçam-se à mesa do barzinho e entrelaçam seus lábios...
Iguais nas diferenças!
Você está sendo injusto com alguém devido a suas diferenças físicas ou psíquicas?
Reavalie suas atitudes. Procure ter senso de ética e lembre-se que a beleza está nos olhos de quem a vê,ou seja, o que pode ser bonito para mim pode ser feio para você e vice-versa. Não deixe que o padrão de beleza, imposto pela mídia, com modelos anoréxicas, interferir radicalmente na sua vida. Tenha sua própria opinião. Respeite as opiniões alheias, afinal, somos todos iguais nas diferenças.
Obs. O nome do personagem é fictício.
"Almir, o contador de histórias reais".

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